MEMÓRIA HISTÓRICA

(Selecionar fotos históricas para cada sessão)

Por meio de uma política de aquisição a ser implementada, o museu pretende expor um diversificado acervo que atenda seus objetivos. Dos povos originários, europeus colonizadores, africanos escravizados e filhos da terra frutos desta miscigenação, o acervo contará também com os objetos e fragmentos coletados nas pesquisas arqueológicas realizadas no interior do Parque Histórico e Arqueológico de Iguassú Velha e em outros sítios arqueológicos existentes em diferentes territórios. A criação do Museu Arqueológico e Etnológico de Nova Iguaçu (MAE-NI) pretende não apenas compartilhar a rica história da antiga Vila de Iguassú mas, sobretudo, ser um espaço de suporte à pesquisa para todos que se interessam em analisar e estudar acervos da memória histórica local, nacional e mundial.

Povos originários

Eram os Tupinambás que habitavam o território hoje conhecido como Nova Iguaçu e toda a região da Baixada Fluminense, um dos principais povos indígenas que também habitavam o litoral brasileiro antes da chegada dos colonizadores europeus.

Pertencentes à família linguística Tupi-Guarani, a organização social tupinambá era baseada em aldeias, onde viviam em ocas comunitárias. O cultivo da mandioca, as práticas de pesca, caça e coleta junto a uma rica cultura espiritual, baseada em mitos, rituais e crenças vinculadas à natureza era o principal traço cultural desse povo.

E foi logo em 1555, no início do Brasil-Colônia, que os Tupinambás, motivados pela construção de uma forte resistência aos portugueses que buscavam dominar a região, se aliaram aos franceses, que tentavam estabelecer a França Antártica na Baía de Guanabara. Após a expulsão dos franceses em 1560, houve uma grande dispersão e declínio populacional dos Tupinambás devido a todo o tipo de perseguição e tentativa de escravização pelos portugueses.

No Museu de Arqueologia e Etnologia de Nova Iguaçu, você poderá ativar a sua memória e construir e compartilhar conhecimento da história do povo Tupinambá, da cultura indígena do Brasil, além de trazermos à luz dos acontecimentos a existência de comunidades indígenas que reivindicam a sua identidade e os seus direitos territoriais.

A ocupação das terras

Foi por volta dos anos 1560 que, por meio do sistema de sesmarias, a coroa portuguesa começou a conceder grandes lotes de terras a quem tivesse interesse e condições de produzir o cultivo. Era o início da ocupação e, portanto, da formação da Baixada Fluminense, uma área que viria a desempenhar um papel de fundamental importância para o desenvolvimento econômico e social da futura capital do império.

A construção política

A raíz do período colonial no estado do Rio de Janeiro conta com a fundamental participação da igreja. Após a ocupação territorial iniciada na região pelo processo de concessão de sesmarias, os frades beneditinos se estabeleceram para erguer a primeira capela, dedicada a Nossa Senhora do Iguassú, situada às margens do rio Iguassú. Com o tempo, portos foram surgindo nos rios, verdadeiras estradas fluviais que, além de facilitar o deslocamento dos habitantes e viajantes, eram de fundamental importância para escoar a produção local. Além dos portos localizados no rio Iguassú, os da Estrela e do Pilar – localizados nas atuais cidades de Magé e Duque de Caxias – foram construídos entre os séculos XVI e XIX.

No Museu de Arqueologia e Etnologia de Nova Iguaçu destacaremos os portos do rio Iguassú, que desempenharam um papel fundamental para a produção econômica do estado do Rio de Janeiro, visto que foi em sua proximidade que se formou o núcleo urbano que daria origem à Vila de Iguassú, origem da atual cidade de Nova Iguaçu e posteriormente oito, das treze cidades que hoje compõem a região da Baixada Fluminense.

A presença e a herança afro-brasileira

No Museu de Arqueologia e Etnologia de Nova Iguaçu você vai encontrar marcas históricas da presença e da herança cultural africana e afrobrasileira. Poderá conhecer fatos, objetos que delineam parte de uma memória histórica que configurou a rota e a fixação de fazendas de cana-de-açúcar e engenhos de aguarderte e cultura cafeeira, sustentadas pelo trabalho forçado dos africanos escravizados. E, ainda, fazer uma leitura crítica, criativa, atentar para que muitos desses homens e mulheres libertos, sem acesso à terra ou direitos reais que, empurrados às áreas periféricas e desvalidas, foram excluídos do processo de desenvolvimento econômico local. Apesar de tudo e de todos, essas comunidades deixaram como principal legado a identidade cultural brasileira, por meio da música, gastronomia, tecnologia, moda, religiosidade, dentre outras formas de expressão cultural.

O jongo, por exemplo, manifestação cultural registrada pelo IPHAN como patrimônio imaterial, exerceu forte influência no surgimento do samba, gênero musical brasileiro que representa a identidade cultural de nosso país no mundo inteiro, assim como a capoeira.

A resistência

A Nova Iguaçu consolidou-se como um importante polo de migração interna e das tradições afrobrasileiras. É fundamental que essas tradições sejam preservadas, para serem ativadas na memória do povo, visto que essas tradições passam por transformações impulsionadas por uma significativa quantidade de mensagens midiáticas e pelo acelerado processo de urbanização e de desigualdade social que persiste desde o século XX.

Historicamente marcada pela marginalização das populações negras, a trajetória histórica da cidade revela o vasto território simbólico e cultural da africanidade como cultura permanente e não apenas como herança de um tempo ido. Terreiros de matrizes africanas, grupos culturais, quilombos urbanos e projetos comunitários se consolidaram como espaços de memória, religião e afirmação identitária.

No Museu de Arqueologia e Etonolgia de Nova Iguaçu, a memória, a cultura afrobrasileira está erguida como força proativa de criação, sobrevivência e transformação social da cidade e da região.

A Vila de Iguassú

Em 15 de janeiro de 1833, quando o povoado foi elevado à categoria de vila, Piedade de Iguassú desempenhava papel de fundamental importância como entreposto comercial, por facilitar o transporte de mercadorias, especialmente agrícolas, através da Estrada Real do Comércio e dos vários portos fluviais existentes na Vila de Iguassú.

Baseada na atividade agrícola, com destaque para a cana-de-açúcar e, posteriormente, o café, sobretudo nos serviços prestados a tropeiros que trafegavam mercadorias pela Estrada Real do Comércio para a Côrte, a economia da vila era próspera e vigorosa. A organização socioeconômica, o estrato social nesse período era marcado por uma hierarquia rígida que reunia grandes proprietários de terras e pequenos e grandes comerciantes, que acumulavam riqueza através da exploração da mão de obra de pessoas escravizadas, submetidas a condições de trabalho desumano em atividades agrícolas, urbanas e marítimas, além do comércio atlântico. Existia também uma minoria de mão de obra livre, representada por gente menos aquinhoada, pretos alforriados e imigrantes.

É importante ressaltar que a formação social dessa época passou pela construção de capelas e igrejas. Ainda hoje podemos vislumbrar as antigas igrejas matrizes das freguesias de Santo Antonio de Jacutinga, São João Batista de Meriti, Nossa Senhora da Conceição de Marapicú, Nossa Senhora do Pilar de Iguassú e a torre sineira da igreja de Nossa Senhora da Piedade de Iguassú, esta última no interior do Parque Histórico e Arqueológico de Iguassú Velha, próxima a sede do Museu de Arqueologia e Etnologia de Nova Iguaçu.

Iguassú era a vila mais próspera da Província do Rio de Janeiro nas décadas de 1830 e 1840, devido ao pujante fluxo da produção cafeeira do Vale do Paraíba Fluminense, escoada pela Estrada Real do Comércio e pelos portos de Iguassú.

O Declínio da Vila

Um dos principais marcos na cidade de Nova Iguaçu é a transferência da matriz de Santo Antônio de Jacutinga em 1862, uma nova matriz construída para legitimar a ocupação do novo território e impulsionar o crescimento do arraial de Maxambomba, que passou por uma grande transformação após a chegada da ferrovia e o início da urbanização.

A estrada de ferro D. Pedro II, inaugurada em 1858, marca o início da significativa transformação na Vila de Iguassú. Embora tenha facilitado o transporte de café e impulsionado a economia cafeeira, o fato é que a ferrovia criou uma crise econômica sem precedentes, por tornar o uso das estradas utilizadas por tropeiros e portos fluviais obsoletos. Com a migração de moradores para áreas próximas à ferrovia, Maxambomba assumiu o posto de novo centro de desenvolvimento do local e, em 1891, já no período republicano, foi elevada à sede do município de Iguassú. Em 1916, a cidade passa a chamar-se Nova Iguassú, consolidando o declínio total da antiga Vila de Iguassú. 

Pesquisas Arqueológicas

As pesquisas são destinadas à preservação, estudo e exposição de vestígios materiais deixados por civilizações antigas ou por sociedades do passado. Esses vestígios são resultado de escavações arqueológicas e incluem objetos como ferramentas, cerâmicas, armas, joias, esculturas e restos de construções.

Pesquisas Etnológicas

Com foco no estudo de artefatos e práticas culturais de diferentes povos, com ênfase nas tradições, modos de vida, crenças, saberes, fazeres, costumes e expressões artísticas, as pesquisas realizadas pelo Museu de Arqueologia e Etnologia de Nova Iguaçu se dedicam ao estudo e à exibição das culturas humanas ao longo do tempo.

Conhecimento e Reconhecimento

O primeiro museu público da Baixada Fluminense e o segundo de Arqueologia e Etnologia da região sudeste foi criado para valorizar e preservar a memória histórica brasileira que se faz presente em Nova Iguaçu e na região da Baixada Fluminense, contextualizando-a com a história do Brasil e do mundo.

Implementado em duas etapas, a primeira delas é a construção do prédio que vai abrigar o museu, o projeto arquitetônico do museu foi elaborado para preservar e expor objetos e remanescentes arqueológicos encontrados em escavações realizadas na região.

Com o objetivo de contribuir para ativar a memória e construir vínculos dos moradores da cidade, da região e visitantes de todas as partes do país e do mundo com o patrimônio cultural nacional, mais do que apenas conservar objetos de um tempo ido, o museu produz, constrói e compartilha a origem histórica da região. Ao aproximar os seus usuários das obras arqueológicas e etnológicas que compoem o acervo do museu, além de impulsionar o turismo cultural e, portanto, fomentar e fortalecer o projeto de desenvolvimento econômico da cidade, da região e do estado fluminense por meio da economia criativa, o museu preserva, fortalece e dissemina o conhecimento que gera identidade e fortalece o exercício da cidadania.